{"id":11167,"date":"2022-05-01T16:49:14","date_gmt":"2022-05-01T19:49:14","guid":{"rendered":"http:\/\/julianacunha.com\/blog\/?p=11167"},"modified":"2026-10-23T18:20:16","modified_gmt":"2026-10-23T21:20:16","slug":"boa-noite-boa-sorte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/boa-noite-boa-sorte\/","title":{"rendered":"Boa noite, boa sorte"},"content":{"rendered":"<p>For\u00e7a de vontade \u00e9 um recurso finito: n\u00e3o desperdice a sua tentando sair do Twitter por uma quest\u00e3o de princ\u00edpios. Espere que mais esta rede social complete seu ciclo de degrada\u00e7\u00e3o, transformando-se em um fantasma de si mesma. Aconteceu com o Tumblr, com o Flickr e com Facebook \u2014 pra citar tr\u00eas elefantes brancos que continuam respirando em algum canto escuro da internet. Ainda rendem dinheiro, \u00e9 o que ou\u00e7o dizer. Parece que andam inclusive cheias, mas quem circula por essas bandas \u00e0 noite prefere guardar o rel\u00f3gio no bolso.<\/p>\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o do Twitter por Elon Musk deve radicalizar o penoso processo de descaracteriza\u00e7\u00e3o da plataforma, em curso desde 2016<a id=\"footnote-anchor-1\" class=\"footnote-anchor\" href=\"https:\/\/julianacunha.substack.com\/p\/boa-noite-boa-sorte?s=w#footnote-1\" rel=\"\">1<\/a>. Isso representa uma perda relevante porque o Twitter ainda \u00e9 uma fa\u00edsca de vida da \u00fanica internet que realmente interessa: a internet dos blogs. A internet ARTE que operou entre 1999 e 2013, e que tinha como espinha dorsal o feed RSS. Ela nasceu quando a Netscape inventou essa maravilha e morreu quando a odiosa Google sufocou sua derradeira obra de arte \u2014 o Google Reader.<\/p>\n<p>O RSS \u00e9 um desses protocolos simples e geniais, t\u00e3o abundantes na era da internet ut\u00f3pica. A ideia \u00e9 permitir que o usu\u00e1rio re\u00fana todos os sites que lhe interessam em um \u00fanico lugar. Funciona como uma esp\u00e9cie de caixa de e-mails que voc\u00ea abre e \u2014 tcharan! \u2014 visualiza todas as atualiza\u00e7\u00f5es dos sites que\u00a0<em>voc\u00ea<\/em>\u00a0escolheu. Que\u00a0<em>voc\u00ea<\/em>\u00a0selecionou. Organizadas de forma cronol\u00f3gica ou segmentadas em pastas tem\u00e1ticas que\u00a0<em>voc\u00ea<\/em>\u00a0mesmo definiu. Sem hierarquiza\u00e7\u00e3o feita por algoritmos, sem enfiar coisa que voc\u00ea n\u00e3o assinou no meio, sem pegadinha do mallandro.<\/p>\n<div class=\"captioned-image-container\">\n<figure><a class=\"image-link image2\" href=\"https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 424w, https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 848w, https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 1272w, https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 1456w\" type=\"image\/webp\" sizes=\"100vw\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"sizing-normal\" src=\"https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png\" sizes=\"auto, 100vw\" srcset=\"https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 424w, https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 848w, https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 1272w, https:\/\/cdn.substack.com\/image\/fetch\/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep\/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png 1456w\" alt=\"\" width=\"1353\" height=\"632\" data-attrs=\"{&quot;src&quot;:&quot;https:\/\/bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com\/public\/images\/a8a7b89d-b4ed-4007-b08e-171e7ba39bbb_1353x632.png&quot;,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:632,&quot;width&quot;:1353,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null}\" \/><\/picture><\/a><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em uma \u00e9poca anterior ao conceito de notifica\u00e7\u00e3o, o atrativo do RSS era saber quando seus sites favoritos postavam algo novo sem ter de abrir uma aba do navegador, digitar http:\/\/www e ficar apertando F5, tal como faziam os incas, maias e astecas.<\/p>\n<p>Usar um agregador de RSS te tornava o leitor mais atualizado do rol\u00ea \u2014 e tamb\u00e9m o mais voraz, j\u00e1 que assim ficava f\u00e1cil acompanhar uma grande quantidade de sites e selecionar o que queria ler de cada um deles. F\u00e1cil buscar, organizar, salvar, guardar pra depois, excluir, adicionar, enviar aos amigos. Voc\u00ea n\u00e3o precisava de um algoritmo selecionando as coisas \u201cpor voc\u00ea\u201d se estava tudo ali, t\u00e3o f\u00e1cil de fazer voc\u00ea mesmo, do seu jeito. Do \u00fanico jeito certo.<\/p>\n<p>O agregador de RSS gerou o ambiente prop\u00edcio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o &amp; consumo de todo tipo de conte\u00fado, inclusive dos mais esquisitos e menos comerciais. Esse novo modo de espalhar e de receber textos criou um novo comportamento de leitura, e novos escritores e leitores se formaram no caldo nutritivo do RSS.<\/p>\n<p>Ler tinha se tornado mais f\u00e1cil, e o mesmo valia para ser lido. O autor s\u00f3 precisava chamar a aten\u00e7\u00e3o do leitor uma \u00fanica vez. Uma \u00fanica vez e aquele leitor seria seu para todo o sempre, ou pelo menos at\u00e9 que ele voluntariamente te exclu\u00edsse de sua lista. Isso \u00e9 bem diferente do simba saf\u00e1ri das redes sociais, onde todo \u201cprodutor de conte\u00fado\u201d<a id=\"footnote-anchor-2\" class=\"footnote-anchor\" href=\"https:\/\/julianacunha.substack.com\/p\/boa-noite-boa-sorte?s=w#footnote-2\" rel=\"\">2<\/a>\u00a0\u00e9 um\u00a0<em>attention whore<\/em>\u00a0ca\u00e7ando na unha migalhas de aten\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios seguidores.<\/p>\n<p>Deus criou o RSS sem nenhum defeito. Por\u00e9m, entre 2005 e 2007 a Google quebrou a banca, elevando essa tecnologia ao status de ARTE. O Google Reader era ARTE. Com ele surgiu a possibilidade de seguir o agregador de feed de outras pessoas e ver o que\u00a0<em>elas<\/em>\u00a0haviam lido e recomendado.<\/p>\n<p>Pense em um t\u00f3pico pelo qual voc\u00ea se interessa, por\u00e9m n\u00e3o o bastante pra ficar seguindo 72 sites em 3 l\u00ednguas at\u00e9 achar o\u00a0<em>cr\u00e8me de la cr\u00e8me<\/em>\u00a0daquela rebimboca da parafuseta espec\u00edfica. Com o Google Reader, bastava encontrar um nerd daquele nicho que tivesse um gosto parecido com o seu e seguir esse cara. Pronto: agora voc\u00ea podia ungir seus pr\u00f3prios curadores de conte\u00fado, fazer uma pipoca e ler apenas o que eles haviam pr\u00e9-selecionado pra voc\u00ea. O que mais o ser humano poderia querer?<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica decisiva da internet ARTE \u00e9 que ela oferecia modos saud\u00e1veis e socialmente \u00fateis de exercer o pecado da\u00a0<em>vanitas<\/em>. Era delicioso ficar conhecido por escrever bem, ou por ler em quantidade. E quando digo \u201cconhecido\u201d eu quero dizer conhecido por um n\u00famero bem modesto de pessoas. Gosto de pensar que o meu blog \u2014 o J\u00e1 Matei Por Menos, lan\u00e7ado em 2004 \u2014, estava entre os mais lidos da categoria blog pessoal\u00a0<em>freestyle<\/em>\u00a0de raiz, e eu nunca superei o marco dos 2 mil acessos di\u00e1rios. Para que mais? Eram duas mil pessoas lendo e interagindo com os meus textos de maneira regular atrav\u00e9s dos anos. Era um luxo absoluto.<\/p>\n<p>Escrever nos maiores jornais e revistas do pa\u00eds n\u00e3o me rendeu esse luxo. Ter um fanzine, uma coluna de r\u00e1dio, redes sociais com dezenas de milhares de seguidores, uma newsletter com seis mil inscritos: nada disso somado me rendeu algo compar\u00e1vel ao n\u00edvel de leitura, feedback e di\u00e1logo de ter um blog na era do RSS.<\/p>\n<p>Tudo corria bem, at\u00e9 que a Google quebrou as pernas do Reader para perseguir seus sonhos dantescos de domina\u00e7\u00e3o do mercado de redes sociais. Com isso, a humanidade meio que esqueceu a arte da fabrica\u00e7\u00e3o do vidro, e o RSS tornou-se limitado a uma seita de nerds velhos vivendo em uma montanha. Hoje em dia, h\u00e1 v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de agregadores de RSS: Feedly, NewsBlur, Inoreader, The Old Reader, Feeder. Algum deles \u00e9 quentinho e gostoso de usar? Nope. V\u00e1rios deles come\u00e7am a implementar intelig\u00eancia artificial e sele\u00e7\u00e3o por algoritmos de jeitos pouco cat\u00f3licos? Yep. Mas, por enquanto, certamente s\u00e3o op\u00e7\u00f5es melhores do que dormir na chuva.<\/p>\n<p>A ostraciza\u00e7\u00e3o do RSS \u00e9 o grande drama da internet dos blogs. \u00c9 este o grande vel\u00f3rio que vale as nossas l\u00e1grimas. Mas derrotas h\u00e1 muitas, especialmente para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Embora o RSS seja a chave explicativa do nascimento e morte da boa internet, as redes sociais foram um complemento simp\u00e1tico quando ele ainda estava em cena. E por muito tempo o Twitter foi a melhor de todas as redes.<\/p>\n<p>As redes sociais cumpriam o papel de agregador meia sola para pessoas que n\u00e3o eram nativas o suficiente para usarem RSS, e ofereciam op\u00e7\u00f5es mais din\u00e2micas de intera\u00e7\u00e3o para o resto de n\u00f3s. Com o Google Reader fora de cena, elas sustentaram a distribui\u00e7\u00e3o dos blogs por um tempo, at\u00e9 come\u00e7arem a adotar a medidas progressivamente draconianas que hoje simplesmente impedem que qualquer conte\u00fado que n\u00e3o seja produzido sob medida para algoritmos tenha alguma visibilidade.<\/p>\n<p>A internet dos algoritmos define o que ser\u00e1 produzido e consumido por todos os usu\u00e1rios, inclusive por quem nunca ganhou nem nunca ganhar\u00e1 um centavo com isso. Define tema, formato, linguagem, tempo, dura\u00e7\u00e3o\u2026 Absolutamente tudo, e de modo cada vez mais detalhado. Mesmo os usu\u00e1rios mais amadores e menos escolados nos meandros dessa internet dist\u00f3pica sabem que postar no hor\u00e1rio X \u00e9 o mesmo que n\u00e3o postar, e que selfies geram mais\u00a0<em>engajamento<\/em>\u00a0n\u00e3o apenas porque as pessoas gostam de selfies, mas porque o algoritmo faz com que esse tipo de foto chegue a mais gente.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma internet que castra qualquer conte\u00fado diversificado. Tudo est\u00e1 fadado a se tornar a mesma coisa. Pior do que se tornar: a j\u00e1 nascer a mesma coisa. As exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o cada vez mais raras \u2014 e menos duradouras.<\/p>\n<p>Para estar nesta internet \u00e9 necess\u00e1rio fazer cada vez mais concess\u00f5es e investimentos financeiros. \u00c9 preciso mendigar que o leitor curta, assine, compartilhe, ative as notifica\u00e7\u00f5es, comente, te d\u00ea uma procura\u00e7\u00e3o em tr\u00eas vias e transfira todos os bens para o seu nome.<\/p>\n<p>Simplesmente n\u00e3o vale a pena escrever nesta internet. Os textos n\u00e3o chegam, ningu\u00e9m l\u00ea, \u00e9 uma experi\u00eancia triste. E sabe o que \u00e9 mais triste? As pessoas querem ler. \u201cAs pessoas\u201d \u00e9 um termo forte, mas algumas pessoas querem. O brasileiro subverteu o Facebook, instituindo o g\u00eanero TEXT\u00c3O DE FACE. At\u00e9 o Instagram a gente est\u00e1 lotando de texto. Contra tudo e contra todos, a gente gosta sim de texto. E quem vem dessa subcultura muito espec\u00edfica da internet dos blogs \u00e9 gente que quer ser lida. Eu sou essa pessoa. Eu comecei a escrever aos 14 anos pregando meus textos no banheiro da escola, de frente pro vaso sanit\u00e1rio. Porque eu queria ser lida.<\/p>\n<p>Sinto que essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o para boa parte dos escritores por a\u00ed. Dos professores, dos jornalistas, e mesmo dos escritores de fic\u00e7\u00e3o. Sinto que pra eles n\u00e3o ser lido soa at\u00e9 vantajoso, porque o que eles querem \u00e9 ocupar um certo lugar, circular por certos espa\u00e7os, obter certo prest\u00edgio para o qual \u00e9 necess\u00e1rio escrever, por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser lido. Fica at\u00e9 mais f\u00e1cil conseguir essas coisas se ningu\u00e9m te l\u00ea. Ningu\u00e9m te l\u00ea, por isso mesmo todo mundo pressup\u00f5e que voc\u00ea \u00e9 \u00f3timo, afinal, est\u00e1 recebendo a chancela do ve\u00edculo X, da editora Y, da universidade Z.<\/p>\n<p>The only thing that matters is the writing itself: everything else is literature.<\/p>\n<p>Except it&#8217;s quite the opposite.<\/p>\n<p>Para quem ainda alimenta a vaidade tr\u00e1gica de ser lido, o Twitter \u00e9 uma chance m\u00ednima de espalhar textos.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que j\u00e1 era?<\/p>\n<p>Tem as newsletters, o Substack \u2014 ou\u00e7o dizerem as vozes da minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tem por um tempo. Tem de forma prec\u00e1ria, trabalhosa, provis\u00f3ria e cada vez mais caralhosamente cara.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul Simon - Long, Long Day (Live)\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/192985494?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"604\" height=\"341\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\"><\/iframe><\/p>\n<div id=\"gtx-trans\" style=\"position: absolute; left: -6px; top: 3580.02px;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>For\u00e7a de vontade \u00e9 um recurso finito: n\u00e3o desperdice a sua tentando sair do Twitter por uma quest\u00e3o de princ\u00edpios. Espere que mais esta rede social complete seu ciclo de degrada\u00e7\u00e3o, transformando-se em um fantasma de si mesma. 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