{"id":11205,"date":"2023-03-15T10:31:06","date_gmt":"2023-03-15T13:31:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/?p=11205"},"modified":"2026-10-24T00:38:16","modified_gmt":"2026-10-24T03:38:16","slug":"paginas-envenenadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/paginas-envenenadas\/","title":{"rendered":"P\u00e1ginas envenenadas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"jmpm-botao\"><a href=\"https:\/\/cunha.substack.com\/p\/poisonous-pages\">Click to read the English version!<\/a><\/p>\n<p>Essa coisa de leitura n\u00e3o era um assunto tranquilo no s\u00e9culo 18. Foi nessa \u00e9poca que a soma de tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es mais ou menos separadas come\u00e7ou a dar resultados de massa, e as pessoas deram uma surtada com isso. As tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es a que me refiram s\u00e3o a inven\u00e7\u00e3o da prensa de tipos m\u00f3veis por Gutenberg, a ideia de Lutero de traduzir a B\u00edblia para as l\u00ednguas vern\u00e1culas e o sonho iluminista de alfabetizar geral.\u00a0<\/p>\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade, o n\u00famero de mulheres alfabetizadas n\u00e3o era estatisticamente irrelevante. Ao menos nos pa\u00edses ricos do Ocidente, uma mulher letrada j\u00e1 n\u00e3o era uma atra\u00e7\u00e3o de circo, como nos tempos de Safo ou de Christine de Pizan. Pobres e subalternos que sabiam ler e escrever tamb\u00e9m eram um fen\u00f4meno cada vez mais comum, e eles andavam pelas ruas em plena luz do dia, com livros e jornais debaixo do bra\u00e7o como se fosse a coisa mais normal do mundo.<\/p>\n<p class=\"jmpm-assine\">Obrigada por ler o <em>J\u00e1 Matei Por Menos<\/em>! Para receber os pr\u00f3ximos textos por e-mail: <a href=\"https:\/\/julianacunha.substack.com\/subscribe\">Assine a newsletter<\/a><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/a4cb5297-256d-462b-bb72-2a4fef26dbdd_1725x1303.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11206\" width=\"604\" height=\"456\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ascens\u00e3o e Queda da Literatura<\/em> (<em>The Rise, and Fall, of Literature<\/em>), 1825. Gravura em papel colorido \u00e0 m\u00e3o, 111 \u00d7 148 mm. Museu Brit\u00e2nico (Londres, Inglaterra). <a href=\"https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/P_1948-0214-935\">Link.<\/a>\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas \u00e9 claro que n\u00e3o tinha nada normal nessa hist\u00f3ria. Havia todo um mal-estar pairando no ar. Uma sensa\u00e7\u00e3o de que tinha gente demais lendo textos demais, de jeitos demais e por motivos demais. As formas de consumir e acessar os textos estavam mudando drasticamente e a leitura ia ficando uma atividade muito mais solit\u00e1ria do que antigamente. Muito mais discreta, sorrateira, f\u00e1cil de esconder.\u00a0<\/p>\n<p>Tinha gente que achava que certas pessoas nem deveriam ser alfabetizadas. Outros achavam que a alfabetiza\u00e7\u00e3o em si era uma ferramenta neutra ou at\u00e9 positiva, mas ficavam cabreiros com o uso que ela receberia na m\u00e3o desses novos leitores. Para esse segundo grupo, a preocupa\u00e7\u00e3o era saber o que esse pessoal ia ler. Quando, como, onde, em que quantidade e \u00e0s custas de quem eles leriam.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/4a6c35fb-ccbe-45d8-8aae-01c5f0d7518d_2500x1668.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11207\" width=\"604\" height=\"403\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A Marcha do Intelecto<\/em> (<em>The March of Intellect<\/em>), c. 1828, de Robert Seymour (ingl\u00eas, 1798 \u2013 1836). Gravura em papel colorido \u00e0 m\u00e3o, 220 \u00d7 325 mm. Museu Brit\u00e2nico (Londres, Inglaterra). <a href=\"https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/P_1948-0214-982\">Link.<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Eles ficavam se perguntando o que esse z\u00e9 povinho entenderia dos textos e que tipo de rela\u00e7\u00e3o estabeleceria com a leitura. Ser\u00e1 que essa rapa sairia misturando fic\u00e7\u00e3o e realidade? Ser\u00e1 que n\u00e3o ficaria t\u00e3o tomada pela leitura que come\u00e7aria a esquecer as obriga\u00e7\u00f5es e vagabundear no trabalho? Ser\u00e1 que ia se deixar levar por qualquer coisa que lesse? Ser\u00e1 que esse povo n\u00e3o ficaria ambicioso agora que tinha um vislumbre do mundo fora da sua vidinha de merda? Provavelmente sim, n\u00e9.\u00a0<\/p>\n<p>A privacidade era um perigo e, ao mesmo tempo, estava em perigo. Tem uma hist\u00f3ria famosa de que Agostinho teria ficado chocado ao ver Ambr\u00f3sio lendo em sil\u00eancio, sem nem mexer os l\u00e1bios. Muita gente diz que o choque seria porque ele n\u00e3o sabia que isso era poss\u00edvel, mas eu li que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Ele provavelmente sabia dessa possibilidade, ela s\u00f3 era muito incomum no s\u00e9culo 6. <\/p>\n<p>Pelo menos at\u00e9 o s\u00e9culo 17, o normal \u00e9 que as pessoas lessem em voz alta mesmo quando estavam sozinhas. \u00c9 somente no s\u00e9culo 18 que o jogo vira e, de repente, quase todo mundo est\u00e1 lendo em sil\u00eancio.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/32bbdfa9-440a-4916-b500-d803c4c89a0d_1557x2052.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11208\" width=\"604\" height=\"796\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A Indiscri\u00e7\u00e3o<\/em> (<em>L\u2019Indiscretion<\/em>), 1788, de Jean-Fran\u00e7ois Janinet (franc\u00eas, 1752 \u2013 1814), a partir de Nicolas Lavreince (sueco, 1737 \u2013 1807). Gravura e forma de lavagem, 36,2 \u00d7 28,4 cm. National Gallery of Art (Washington, Estados Unidos). <a href=\"https:\/\/www.nga.gov\/collection\/art-object-page.2999.html\">Link<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse sil\u00eancio era bem conveniente quando a gente estivesse no trem, com v\u00e1rias pessoas lendo o jornal ao mesmo tempo. Mas a coisa mudava de figura quando sua mulher come\u00e7asse a ler uma carta do seu lado e voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o soubesse que mensagem era aquela. Havia toda uma sociabilidade por correspond\u00eancia naquela \u00e9poca, as pessoas trocavam cartas o tempo inteiro. Pense nas brigas de casal que ainda rolam por causa de mensagens de texto. Agora pense em uma sociedade <em>bem<\/em> mais machista e controladora.\u00a0<\/p>\n<p>O texto \u00e9 a rua dentro de casa. A pessoa achava que a filha estava segura em casa, protegida da safadeza do mundo l\u00e1 fora, quando na verdade ela estava sendo pessimamente influenciada por cartas e romances escritos sabe Deus por quem. Pense no caso da pobre C\u00e9cile Volanges, em <em>As Rela\u00e7\u00f5es Perigosas<a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-1\" href=\"#footnote-1\">1<\/a><\/em>.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/704cacd1-5463-44ed-9382-1976ca927324_1772x1345.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11209\" width=\"604\" height=\"458\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Resist\u00eancia In\u00fatil<\/em> (<em>La R\u00e9sistance Inutile<\/em>), de Jean-Honor\u00e9 Fragonard (franc\u00eas, 1732 \u2013 1806). \u00d3leo sobre tela, 45 \u00d7 60,5 cm. Nationalmuseum (Estocolmo, Su\u00e9cia). <a href=\"https:\/\/collection.nationalmuseum.se\/eMP\/eMuseumPlus?service=ExternalInterface&amp;module=collection&amp;objectId=22465&amp;viewType=detailView\">Link<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A menina s\u00f3 tinha quinze anos. E estava tudo t\u00e3o acertado. A Madame Volanges era t\u00e3o zelosa com a respeitabilidade da filha que s\u00f3 tirou a mo\u00e7a do convento poucos meses antes do casamento com o Comte de Gercourt. C\u00e9cile quase n\u00e3o colocava os p\u00e9s pra fora de casa. O \u00fanico homem que ela via com alguma regularidade era seu ing\u00eanuo e bem-intencionado professor de m\u00fasica \u2014 nosso querido Chevalier Danceny. Mesmo assim, todas as aulas aconteciam dentro de casa, debaixo dos olhos da m\u00e3e.\u00a0<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o teve muro de convento ou dilig\u00eancia materna que barrasse a influ\u00eancia demon\u00edaca da Marquesa de Merteuil. Imbat\u00edvel na s\u00f3rdida arte da escrita, ela lan\u00e7ou sua teia pecaminosa sobre C\u00e9cile e Danceny, derrubando a honrada Pr\u00e9sidente de Tourvel e at\u00e9 mesmo o safo Vicomte de Valmont de carona. Quando o livro termina, a taxa de fatalidade \u00e9 impressionante. E tudo isso para qu\u00ea? S\u00f3 para se vingar de Gercourt, que teve a aud\u00e1cia de troc\u00e1-la por outra.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/d07d99db-58df-4b21-beeb-d84dd2fd2d75_1628x2048.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11210\" width=\"604\" height=\"760\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>As Liga\u00e7\u00f5es Perigosas<\/em> (<em>Les Liaisons Dangereuses<\/em>), 1936, de Ren\u00e9 Magritte (belga, 1898 \u2013 1967). Guache sobre papel, 41,4 \u00d7 29 cm. Walker Art Center (Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos). <a href=\"https:\/\/walkerart.org\/collections\/artworks\/les-liaisons-dangereuses-dangerous-connections\">Link<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 algo de inato na vilania de Merteuil, nisso eu concordo. Mas onde ela conseguiu polir sua amoralidade cong\u00eanita? Onde aprendeu a transformar seus pensamentos torpes na realidade torpe de outras pessoas? Ela aprendeu com os romances, \u00e9 claro. N\u00e3o s\u00f3 com<em> romans libertins<\/em> de quinta categoria, mas tamb\u00e9m com os romances de Rousseau \u2014 seu favorito. Os mesmos romances que Madame de Sta\u00ebl enxergava como os grandes civilizadores da modernidade se transformavam em armas quando caiam nas m\u00e3os de leitores incautos e incompetentes como Emma Bovary<a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-2\" href=\"#footnote-2\">2<\/a> ou nas m\u00e3os de leitores competentes at\u00e9 demais, como Merteuil.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o era t\u00e3o desoladora que mesmo nossos bons e velhos Leitores Tradicionais \u2014 nossos estimados homens brancos, ricos, heterossexuais, oriundos dos pa\u00edses centrais \u2014 pareciam ter esquecido como ler corretamente. Estavam ficando afeminados e hipersens\u00edveis, deixando-se emascular por uma literatura rastaquera voltada para mulheres ou, pior ainda!, escrita <em>por<\/em> mulheres.<\/p>\n<p class=\"jmpm-botao\"><a href=\"https:\/\/julianacunha.substack.com\/subscribe?\">Assine a newsletter<\/a><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/80ebcd06-3803-43bb-91e9-27ea462614bf_2500x1821.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11211\" width=\"604\" height=\"440\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Leituras Cruzadas<\/em> (<em>Cross Readings<\/em>), 1800, de F. Sansom (ingl\u00eas, c. 1797 \u2013 1810), depois de George Moutard Woodward (ingl\u00eas, 1765 \u2013 1809). Gravura em papel colorido \u00e0 m\u00e3o, 346 \u00d7 468 mm. Museu Brit\u00e2nico (Londres, Inglaterra). <a href=\"https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/P_1985-0119-370\">Link<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>A verdade \u00e9 que est\u00e1vamos saindo de um mundo dominado pela leitura intensiva \u2014 onde especialistas dedicavam a vida inteira a ler e reler a mesma meia d\u00fazia de textos, debatendo exaustivamente cada passagem \u2014 para um mundo de leitura extensiva, onde todo tipo de gente dava uma passada de olho em uma quantidade in\u00e9dita de textos todos os dias e raramente parava um instante para refletir sobre algum deles em particular. <\/p>\n<p>Pensando por esse lado, fica dif\u00edcil rotular todas essas preocupa\u00e7\u00f5es com a leitura como uma grande bobajada elitista, mesmo sabendo que, sim, a maior parte delas partia de elites conservadoras cujo poder e prest\u00edgio estavam sendo abalados pela perda do monop\u00f3lio sobre os textos. <\/p>\n<p>Veja o caso da Igreja Cat\u00f3lica, por exemplo. Um dos motivos pelos quais a Igreja era contra a ideia de que leigos lessem a B\u00edblia sozinhos, em casa, sem media\u00e7\u00e3o de um padre, era o medo de que isso gerasse um monte de interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas do texto sagrado. Esse n\u00e3o me parece um argumento vazio, nem mesmo hoje em dia<a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-3\" href=\"#footnote-3\">3<\/a>. <\/p>\n<p>No mais, preocupa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura n\u00e3o s\u00e3o uma modinha do s\u00e9culo 18. Elas est\u00e3o a\u00ed desde a inven\u00e7\u00e3o da escrita. Em <em>Fedro<\/em>, por exemplo, Plat\u00e3o mostra que S\u00f3crates tinha argumentos mais ou menos nessa linha. Ele dizia que a escrita era uma coisa temer\u00e1ria porque criava uma separa\u00e7\u00e3o artificial entre o autor e suas ideias. <\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/6e2b0511-6859-42c7-ade4-6918961375f4_3820x2964.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11212\" width=\"604\" height=\"469\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A Escola de Atenas<\/em> (<em>Scuola di Atene<\/em>), 1509 \u2013 1511, de Raffaello (italiano, 1483 \u2013 1520). Afresco, 550 \u00d7 770 cm. Museus do Vaticano (Vaticano). <a href=\"https:\/\/m.museivaticani.va\/content\/museivaticani-mobile\/en\/collezioni\/musei\/stanze-di-raffaello\/stanza-della-segnatura\/scuola-di-atene.html\">Link<\/a>.\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele achava que a intera\u00e7\u00e3o face a face era imbat\u00edvel porque permitia que a pessoa adequasse seu discurso de acordo com as caracter\u00edsticas de cada interlocutor espec\u00edfico. Em uma discuss\u00e3o ao vivo, voc\u00ea avalia a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em tempo real e ajusta seus argumentos enquanto fala. Isso aumenta muito as chances tanto de ser entendido quanto de convencer algu\u00e9m. <\/p>\n<p>\u00c9 algo que os professores fazem o tempo inteiro em sala de aula. Mesmo que ningu\u00e9m diga explicitamente que n\u00e3o entendeu, d\u00e1 pra sentir quando a turma est\u00e1 boiando e explicar melhor, usar outros exemplos, dar uma cambalhota. D\u00e1 pra ver que um ponto espec\u00edfico despertou o interesse dos alunos e se aprofundar nele. D\u00e1 pra notar se algo que voc\u00ea disse pegou mal e se corrigir imediatamente. <\/p>\n<p>J\u00e1 o texto escrito deixaria o autor basicamente impotente porque ele n\u00e3o teria a chance de se explicar melhor, de calibrar, modular ou reformular seus argumentos a partir desse feedback imediato.<\/p>\n<p>S\u00f3crates ficava louco de pensar que cada vez que algu\u00e9m entendesse as ideias dele do jeito errado, essa pessoa sairia por a\u00ed dizendo que ele defendia umas coisas nada a ver. Ele n\u00e3o entendia por que algu\u00e9m preferiria ler ideias mortas fossilizadas em um peda\u00e7o de papiro do que travar di\u00e1logos vivos com pensadores vivos com quem voc\u00ea pudesse conversar, influenciar e ser influenciado, criar novas ideias. <\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/a1860648-3ef5-48cb-aaa0-85d299f90734_1190x1465.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11213\" width=\"604\" height=\"744\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Mulheres Elegantes em uma Biblioteca<\/em> (<em>Femmes \u00c9l\u00e9gantes dans une Biblioth\u00e8que<\/em>), segunda metade da d\u00e9cada de 1800, de \u00c9douard Gelhay (franc\u00eas, 1856 \u2013 1939). \u00d3leo sobre tela. Bridgeman Art Library (Londres, Inglaterra). <a href=\"https:\/\/www.bridgemanimages.com\/en\/gelhay\/elegant-women-in-a-library-oil-on-canvas\/oil-on-canvas\/asset\/52393\">Link<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p>\u201c\u2014 (&#8230;) H\u00e1 algo estranho na escrita, Fedro, que a torna exatamente como a pintura. A pintura cria figuras que ficam ali paradas como se estivessem vivas, mas se voc\u00ea perguntar algo a elas, respondem com um sil\u00eancio solene. O mesmo acontece com as palavras escritas: ficam ali falando e d\u00e1 at\u00e9 para achar que t\u00eam alguma intelig\u00eancia, mas se pedir para explicarem algo do que dizem, elas simplesmente repetem a mesma coisa para sempre. Se uma ideia qualquer \u00e9 escrita, ela sai por a\u00ed falando com qualquer um. Conversa com gente que a entende, mas tamb\u00e9m com gente totalmente inadequada, indistintamente. N\u00e3o sabe com quem deve e com quem n\u00e3o deve dialogar. Se algu\u00e9m \u00e9 grosseiro ou injusto com uma ideia, ela n\u00e3o sabe se defender. Precisa sempre recorrer ao pai.\u201d<a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-4\" href=\"#footnote-4\">4<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>(Adoro como essa cita\u00e7\u00e3o acaba revelando o lado <em>Mean Girls<\/em> da posi\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates: em meio \u00e0s in\u00fameras desvantagens do texto escrito est\u00e1 o fato de que ele n\u00e3o pode escolher com quem vai sentar no recreio da escola. Essa imagem das ideias como crian\u00e7as indefesas tamb\u00e9m \u00e9 uma p\u00e9rola.)<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/cbb4d664-04ee-4b2e-beaf-d21eff145c9e_1280x1064.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11214\" width=\"604\" height=\"502\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o da capa do livro A Abadia de Northanger, de Jane Austen<\/em>, 2010, de Anna e Elena Balbusso (italianas, contempor\u00e2neas). Encomendado pela editora Black Cat. Acr\u00edlico e digital, 16,51 \u00d7 13,97 cm. <a href=\"http:\/\/www.balbusso.com\/\">Link<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o de \u201cler com modera\u00e7\u00e3o\u201d tamb\u00e9m tem ra\u00edzes cl\u00e1ssicas. Em 65 a.C., S\u00eaneca alertava contra a glutonia intelectual, e dizia que entornar pilhas de livros de um trago s\u00f3 gerava mais confus\u00e3o do que qualquer outra coisa. A abordagem estoica ia por um caminho mais <em>slow reading<\/em>, espremendo os textos e tirando o m\u00e1ximo poss\u00edvel de um autor antes de partir para pr\u00f3ximo. Ele dizia que esse m\u00e9todo daria mais resultado no longo prazo, mesmo se voc\u00ea acabasse conhecendo menos obras e autores do que colegas mais vorazes. <\/p>\n<blockquote><p>\u201cDemasiada abund\u00e2ncia de livros \u00e9 fonte de dispers\u00e3o; assim como n\u00e3o poder\u00e1s ler tudo quanto possuis, contenta-te em possuir apenas o que podes ler. Dir\u00e1s tu: \u2018Mas sinto vontade de folhear ora este livro, ora aquele.\u2019 Provar muita coisa \u00e9 sintoma de est\u00f4mago embotado; quando s\u00e3o muitos e variados os pratos, s\u00f3 fazem mal em vez de alimentar. L\u00ea, portanto, constantemente autores de confian\u00e7a e quando sentires vontade de passar a outros, regressa aos primeiros. Reflecte todos os dias em qualquer texto que te auxilie a encarar a indig\u00eancia, a morte ou qualquer outra calamidade; quando tiveres percorrido diversos textos, escolhe um passo que alimente a tua medita\u00e7\u00e3o durante o dia.\u201d<a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-5\" href=\"#footnote-5\">5<\/a><\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"wp-block-image size-large jmpm-figura\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/28e1a9e5-592b-4cf3-8ec5-5bf75727f156_2693x3744.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11215\" width=\"604\" height=\"840\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O Bobo Risonho<\/em> (<em>De Lachende Nar<\/em>), c. 1540, de um artista holand\u00eas desconhecido ativo no s\u00e9culo 16. \u00d3leo sobre carvalho, 47 \u00d7 37 cm. Nationalmuseum (Estocolmo, Su\u00e9cia). <a href=\"https:\/\/collection.nationalmuseum.se\/eMP\/eMuseumPlus?service=direct\/1\/ResultListView\/result.t1.collection_list.%24TspTitleImageLink.link&amp;sp=10&amp;sp=Scollection&amp;sp=SfieldValue&amp;sp=0&amp;sp=1&amp;sp=3&amp;sp=SdetailList&amp;sp=0&amp;sp=Sdetail&amp;sp=0&amp;sp=F&amp;sp=T&amp;sp=0\">Link<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Livros contagiosos, manuscritos envenenados e doen\u00e7as textualmente transmiss\u00edveis tamb\u00e9m s\u00e3o paran\u00f3ias t\u00edpicas do s\u00e9culo 18 que t\u00eam uma ficha corrida muito anterior. Talvez essa met\u00e1fora tenha aparecido pela primeira vez no conto \u201cO rei Yunan e o m\u00e9dico Duban\u201d<a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-6\" href=\"#footnote-6\">6<\/a>, que aparece no <em>Livro das Mil e Uma Noites<\/em><a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-7\" href=\"#footnote-7\">7<\/a>. A narrativa conta a hist\u00f3ria de um m\u00e9dico que consegue curar um rei leproso e recebe recompensas valiosas em troca, al\u00e9m de um cargo como conselheiro real. Por\u00e9m, isso desperta a inveja do vizir, que o convence o monarca de que o pobre m\u00e9dico estaria planejando mat\u00e1-lo. <\/p>\n<p>Duban tenta dissuadir o rei da injusti\u00e7a de sentenci\u00e1-lo \u00e0 morte, mas n\u00e3o consegue, ent\u00e3o decide que pelo menos teria vingan\u00e7a. Ele presenteia o monarca com um livro que supostamente trazia conhecimentos inestim\u00e1veis, mas faz quest\u00e3o de saturar cada uma das p\u00e1ginas com um veneno mortal. Assim, o rei envenena a si mesmo conforme  lambe o dedo para passar as p\u00e1ginas do livro, e morre v\u00edtima do mesmo conhecimento que havia lhe salvado.\u00a0<\/p>\n<p>Ao longo da Idade M\u00e9dia, do Renascimento e entrando pela Idade Moderna, livros envenenados continuam aparecendo em obras de fic\u00e7\u00e3o, em discursos religiosos contra textos her\u00e9ticos e em ataques seculares contra o que quer que seja considerado secularmente her\u00e9tico em cada \u00e9poca.<\/p>\n<p>Mais recentemente, Umberto Eco, gostou tanto dessa imagem que usou como mote de seu primeiro romance,<em> O Nome da Rosa<\/em><a class=\"footnote-anchor\" id=\"footnote-anchor-8\" href=\"#footnote-8\">8<\/a>, ambientado na Idade M\u00e9dia. No livro, um monge passa ars\u00eanico nas p\u00e1ginas do \u00faltimo exemplar dispon\u00edvel do segundo tomo da <em>Po\u00e9tica<\/em>, de Arist\u00f3teles. Porque existe essa teoria de que a <em>Po\u00e9tica<\/em> teria dois tomos: o primeiro seria o que a gente conhece, focado na trag\u00e9dia, e o segundo seria focado na com\u00e9dia. O texto da <em>Po\u00e9tica<\/em> de fato afirma que vai tratar de assuntos que depois n\u00e3o aparecem no livro, mas ningu\u00e9m sabe ao certo se ele deixou a obra incompleta ou se parte dela se perdeu.\u00a0<\/p>\n<p>Seja como for, o monge de Umberto Eco n\u00e3o gosta do segundo tomo porque considera que o riso seja uma forma de heresia. Sem coragem de destruir o \u00faltimo exemplar de uma obra t\u00e3o importante, ele decide envenenar o manuscrito, contando que poss\u00edveis leitores lamberiam o dedo para passar as p\u00e1ginas e morreriam envenenados. A estrat\u00e9gia \u00e9 engenhosa e cria uma esp\u00e9cie de crime sem v\u00edtimas, j\u00e1 que a pessoa s\u00f3 morreria se estivesse metendo o nariz onde n\u00e3o foi chamada.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, acho que deu pra entender que a leitura gera preocupa\u00e7\u00f5es e controv\u00e9rsias basicamente desde sempre. No entanto, essas advert\u00eancias nunca haviam se transformado em uma onda de histeria coletiva como acontece a partir do final do s\u00e9culo 17 at\u00e9 o come\u00e7o do s\u00e9culo 20. E isso tem tudo a ver com a populariza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o e com a ascens\u00e3o do romance realista moderno como forma liter\u00e1ria predominante.<\/p>\n<p>(a ser continuado)<\/p>\n<p>PS: Semana passada eu dei uma surtada federal com o ChatGPT. Fiquei achando que n\u00e3o vai ter mais trabalho pra basicamente nenhum redator ou escritor. Que vamos virar meros revisores de lero-lero produzido por IA. A\u00ed pensei que eu devia ao menos escrever em ingl\u00eas, pra aumentar minha sobrevida na profiss\u00e3o. Este texto que voc\u00ea acaba de ler foi escrito em ingl\u00eas, depois traduzi para o pt. Fiz uma se\u00e7\u00e3o no Substack s\u00f3 pra colocar textos que eu porventura escreva em ingl\u00eas. Ela funciona como uma newsletter separada, porque assim eu n\u00e3o fico enviando coisa em ingl\u00eas para quem vai achar isso chato. Se quiser receber, voc\u00ea precisa <a href=\"https:\/\/cunha.substack.com\/p\/poisonous-pages\">clicar aqui<\/a> e assinar esta se\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, mesmo se j\u00e1 for assinante da newsletter geral. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 me mandar um e-mail dizendo que quer ser inclu\u00eddo. Se puder <a href=\"https:\/\/cunha.substack.com\/p\/poisonous-pages\">enviar o texto<\/a> para algum amigo gringo, eu agrade\u00e7o &lt;3<\/p>\n<p class=\"jmpm-botao\"><a href=\"https:\/\/julianacunha.substack.com\/p\/paginas-envenenadas\/comments\">Comente no Substack<\/a><\/p>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-anchor-1\" class=\"footnote-number\">1<\/a> <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788563560506\/as-relacoes-perigosas\">As Rela\u00e7\u00f5es Perigosas<\/a>, Choderlos de Laclos. Tradu\u00e7\u00e3o de Doroth\u00e9e de Bruchard. Penguin-Companhia, 2012. Publicado em franc\u00eas em 1782, com o t\u00edtulo de <em>Les Liaisons Dangereuses<\/em>.<\/p><\/div><\/div>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-anchor-2\" class=\"footnote-number\">2<\/a> <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788563560315\/madame-bovary\">Madame Bovary: Costumes de Prov\u00edncia<\/a>, Gustave Flaubert. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Laranjeira. Penguin-Companhia, 2011. Publicado em franc\u00eas em 1856, com o t\u00edtulo de <em>Madame Bovary: M\u0153urs de Province<\/em>.<\/p><\/div><\/div>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-3\" href=\"#footnote-anchor-3\" class=\"footnote-number\">3<\/a> Em 2007, o Fant\u00e1stico fez uma <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=InFqbyBFnJI\">mat\u00e9ria<\/a> sobre um pastor que achava que Os\u00e9ias, cap\u00edtulo 3, o autorizava a ter casos com mulheres casadas que frequentavam sua igreja. A interpreta\u00e7\u00e3o era totalmente disparatada, e o homem era precariamente alfabetizado. Mas o trecho em quest\u00e3o de fato \u00e9 uma passagem complexa, na qual Deus ordena que Os\u00e9ias perdoe sua esposa Gomer, que o traiu e acabou sendo vendida como escrava em um prost\u00edbulo. Deus diz que Os\u00e9ias deve agir com Gomer como Ele agiu com Israel, que tamb\u00e9m o traiu com outros deuses. <\/p><\/div><\/div>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-4\" href=\"#footnote-anchor-4\" class=\"footnote-number\">4<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o indireta minha, a partir do livro em ingl\u00eas. Depois eu vou encontrar o exemplar da 34 e substituir aqui no post. <a href=\"https:\/\/editora34.com.br\/detalhe.asp?id=927\">Fedro<\/a>, Plat\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Cavalcante de Souza. Editora 34, 2016. Escrito por volta de 370 a.C.<\/p><\/div><\/div>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-5\" href=\"#footnote-anchor-5\" class=\"footnote-number\">5<\/a> <a href=\"https:\/\/es.wikisource.org\/wiki\/Cartas_a_Lucilio_-_Carta_2\">Cartas a Luc\u00edlio<\/a>, L\u00facio Aneu S\u00eaneca. Tradu\u00e7\u00e3o, pref\u00e1cio e notas de J. A. Segurado e Campos. 2 ed. Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2008. Carta 2, p. 3\u20134.<\/p><\/div><\/div>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-6\" href=\"#footnote-anchor-6\" class=\"footnote-number\">6<\/a> <a href=\"https:\/\/www.intrinseca.com.br\/livro\/1169\/\">O Infinito em um Junco: A Inven\u00e7\u00e3o dos Livros no Mundo Antigo<\/a>, Irene Vallejo. Tradu\u00e7\u00e3o de Ari Roitman e Paulina Wacht. Intr\u00ednseca, 2022. Publicado em espanhol em 2019, com o t\u00edtulo de<em> El Infinito en un Junco: La Invenci\u00f3n de Los Libros en el Mundo Antiguo<\/em>.<\/p><\/div><\/div>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-7\" href=\"#footnote-anchor-7\" class=\"footnote-number\">7<\/a> <a href=\"https:\/\/globolivros.globo.com\/livros\/livro-das-mil-e-uma-noites-volume-1-nova-edicao\">Livro das Mil e Uma Noites: Volume 1, Ramo S\u00edrio<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Mamede Mustafa Jarouche. Biblioteca Azul, 2017.<\/p><\/div><\/div>\n<div class=\"footnote\"><div class=\"footnote-content\"><p><a id=\"footnote-8\" href=\"#footnote-anchor-8\" class=\"footnote-number\">8<\/a> <a href=\"https:\/\/www.record.com.br\/produto\/o-nome-da-rosa-3\/\">O Nome da Rosa<\/a>, Umberto Eco. Tradu\u00e7\u00e3o de Homero Freitas de Andrade e Aurora Bernardini. Record, 2022. Publicado em italiano em 1980, com o t\u00edtulo de <em>Il Nome Della Rosa<\/em>.<\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os perigos da leitura, de S&#243;crates ao come&#231;o da histeria midi&#225;tica do s&#233;culo 18<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[96],"tags":[],"class_list":["post-11205","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-newsletter"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11205"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11205\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11216,"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11205\/revisions\/11216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.juliana-cunha.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}